O SUS passou a adotar o Teste Imunoquímico Fecal (FIT) para o rastreamento do câncer colorretal em pessoas sem sintomas. A medida foi oficializada pela Portaria SAES/MS nº 4.642, publicada no Diário Oficial da União em 10 de agosto de 2026.
O novo protocolo é voltado para homens e mulheres de 50 a 75 anos que não apresentam sintomas de câncer colorretal. A estratégia busca ampliar o acesso ao rastreamento, facilitar a identificação precoce de alterações intestinais e reduzir a necessidade de realização inicial de colonoscopia em pessoas assintomáticas.
Mas como funciona o exame FIT? Quem deve realizá-lo? O que fazer quando o resultado é positivo? E o teste substitui a colonoscopia? Neste artigo, entenda as principais mudanças.
O que é o exame FIT?
O FIT (Teste Imunoquímico Fecal) é um exame utilizado para detectar pequenas quantidades de sangue humano oculto nas fezes.
Diferentemente de métodos que dependem de alterações visíveis, o teste utiliza anticorpos específicos para identificar hemoglobina humana em uma amostra de fezes.
A coleta pode ser realizada em casa, utilizando um kit próprio, e a amostra é posteriormente encaminhada para análise laboratorial.
Entre as principais características do FIT estão:
- não exige preparo intestinal;
- não necessita de dieta restritiva antes da coleta;
- utiliza uma única amostra;
- é menos invasivo que a colonoscopia;
- pode facilitar a adesão da população ao rastreamento.
A presença de sangue nas fezes pode estar relacionada a diferentes alterações do trato gastrointestinal, incluindo pólipos, lesões pré-cancerígenas e câncer colorretal. No entanto, um resultado positivo não significa, por si só, que o paciente tenha câncer.
Quem deve fazer o exame FIT pelo SUS?
De acordo com o novo protocolo, o rastreamento com FIT pelo SUS é destinado a:
homens e mulheres entre 50 e 75 anos, sem sintomas sugestivos de câncer colorretal.
A estratégia prevê a realização do exame a cada dois anos.
É importante destacar que o protocolo de rastreamento é destinado à população assintomática. Pessoas que apresentam sinais ou sintomas suspeitos não devem simplesmente realizar o FIT e aguardar o resultado.
O exame FIT substitui a colonoscopia?
Não. O FIT funciona como uma estratégia inicial de rastreamento. Quando o resultado é positivo, o paciente deve ser encaminhado para investigação complementar, especialmente por meio da colonoscopia.
A colonoscopia permite visualizar diretamente a mucosa do cólon e do reto e, quando necessário, realizar procedimentos durante o próprio exame, como a retirada de pólipos.
Por isso, o raciocínio pode ser resumido da seguinte forma:
FIT positivo → investigação complementar → colonoscopia.
Assim, a adoção do FIT não elimina a importância da colonoscopia no rastreamento e na investigação do câncer colorretal.
O que significa um FIT positivo?
Um resultado positivo indica a presença de sangue detectável nas fezes. Isso não equivale ao diagnóstico de câncer colorretal.
Diversas condições podem provocar sangramento gastrointestinal, incluindo alterações benignas e doenças inflamatórias.
Por esse motivo, diante de um FIT positivo, é necessária investigação complementar para identificar a origem do sangramento.
A colonoscopia tem papel fundamental nessa etapa, pois permite avaliar diretamente o intestino e identificar lesões que possam justificar o resultado do teste.
Quais sintomas podem indicar câncer colorretal?
Embora o novo protocolo do SUS seja voltado para pessoas sem sintomas, alguns sinais devem motivar avaliação médica independentemente da idade.
Entre os principais sinais de alerta estão:
- sangue nas fezes;
- anemia sem causa definida;
- perda de peso inexplicada;
- dor abdominal persistente;
- alteração persistente do hábito intestinal;
- mudança no formato ou frequência das evacuações.
Nessas situações, a avaliação clínica deve considerar o quadro individual do paciente e não deve ser substituída pelo rastreamento destinado à população assintomática.
Quem pode precisar de rastreamento antes dos 50 anos?
A idade de 50 a 75 anos corresponde ao público definido pelo novo protocolo de rastreamento populacional do SUS. Isso não significa que todas as pessoas abaixo dos 50 anos estejam fora de qualquer estratégia de investigação.
Pacientes com histórico familiar de câncer colorretal, doenças inflamatórias intestinais ou síndromes genéticas associadas ao câncer colorretal podem apresentar risco aumentado e ter indicação de acompanhamento ou rastreamento diferenciado.
Nesses casos, a estratégia deve ser individualizada de acordo com os fatores de risco e a avaliação médica.
Por que o SUS adotou o FIT?
A principal mudança está na tentativa de ampliar o acesso ao rastreamento do câncer colorretal.
Por ser um exame menos invasivo e mais simples de realizar do que a colonoscopia, o FIT pode favorecer a participação de mais pessoas em programas de rastreamento.
A lógica é identificar pacientes que precisam de investigação adicional sem submeter inicialmente toda a população elegível a um procedimento invasivo.
Além disso, a detecção precoce de alterações colorretais pode permitir investigação e tratamento antes que a doença evolua para estágios mais avançados.
O que mudou com a nova portaria do Ministério da Saúde?
A Portaria SAES/MS nº 4.642, de 6 de agosto de 2026, oficializou a inclusão do Teste Imunoquímico Fecal entre os procedimentos oferecidos pelo SUS.
A publicação ocorreu no Diário Oficial da União em 10 de agosto de 2026.
Com a medida, o FIT passa a integrar oficialmente a tabela de procedimentos do SUS e será utilizado no rastreamento do câncer colorretal em homens e mulheres de 50 a 75 anos sem sintomas, com previsão de realização a cada dois anos.
As mudanças operacionais previstas na portaria passam a produzir efeitos a partir do mês seguinte à publicação.
FIT no SUS: o que o médico precisa lembrar?
Para fins de prática clínica e provas de residência médica, os principais pontos são:
- FIT = teste imunoquímico fecal para detecção de sangue oculto nas fezes.
- Público do novo rastreamento do SUS = homens e mulheres de 50 a 75 anos assintomáticos.
- Periodicidade = a cada dois anos.
- FIT positivo ≠ diagnóstico de câncer.
- FIT positivo → investigação complementar, especialmente colonoscopia.
- Pacientes sintomáticos devem ser avaliados clinicamente e não enquadrados simplesmente no rastreamento populacional.
Perguntas frequentes sobre o exame FIT
O que é o FIT?
O FIT é o Teste Imunoquímico Fecal, utilizado para detectar pequenas quantidades de sangue humano nas fezes.
Quem pode fazer o FIT pelo SUS?
O novo protocolo contempla homens e mulheres de 50 a 75 anos que não apresentam sintomas de câncer colorretal.
Com que frequência o FIT deve ser realizado?
No protocolo oficializado pelo SUS, o exame está previsto a cada dois anos para a população elegível.
FIT positivo significa câncer?
Não. O resultado positivo indica a presença de sangue detectável nas fezes e precisa ser investigado. Outras condições também podem causar sangramento.
O FIT substitui a colonoscopia?
Não. Um resultado positivo exige investigação complementar, e a colonoscopia tem papel importante nessa avaliação.
Pessoas com sintomas devem fazer o FIT?
O protocolo de rastreamento é destinado a pessoas assintomáticas. Sinais como sangue nas fezes, anemia, perda de peso inexplicada, dor abdominal ou alteração persistente do hábito intestinal exigem avaliação médica.
Conclusão
A adoção do FIT pelo SUS representa uma mudança na estratégia de rastreamento do câncer colorretal, com foco na ampliação do acesso e na identificação precoce de possíveis alterações intestinais.
O exame será direcionado a homens e mulheres de 50 a 75 anos sem sintomas, com realização prevista a cada dois anos. Quando o resultado for positivo, o paciente deverá seguir para investigação complementar, especialmente com colonoscopia.
Para o médico, um dos principais pontos é diferenciar rastreamento de investigação diagnóstica: o FIT foi incorporado como ferramenta de rastreamento da população assintomática, enquanto pacientes com sinais ou sintomas suspeitos precisam de avaliação clínica individualizada.
Para residência médica
A mudança também é relevante para quem se prepara para provas de residência. O câncer colorretal, suas estratégias de rastreamento, indicações de colonoscopia e interpretação de testes para sangue oculto nas fezes são temas recorrentes em questões de Clínica Médica, Gastroenterologia, Cirurgia e Medicina Preventiva.

